Petição para Colectivo Educação Bissau
Carta aberta à decisão de encerramento das escolas do Sector Autónomo de Bissau

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Carta aberta à decisão de encerramento das escolas do Sector Autónomo de Bissau

A atenção do Alto Comisariado para a Luta contra a COVID-19

Nós, pais, encarregados de educação e professores Bissau-guineenses e estrangeiros, residentes em Bissau, apelamos às autoridades públicas para que reconsiderem a medida tomada na sexta-feira, dia 22 de Janeiro, ao encerrarem as escolas no SAB. A Senhora Henrietta Fore, Diretora Executiva da UNICEF na sua declaração aos Estados membros do dia 12 de janeiro de 2021, lembrou "que nenhum esforço deve ser poupado para manter as escolas abertas", bem como "Apesar da evidência esmagadora do impacto do encerramento de escolas sobre as crianças, e apesar das evidências crescentes de que as escolas não são os impulsionadores da pandemia, muitos países optaram por manter as escolas fechadas, alguns por quase um ano ”e reafirma que“ O encerramento das escolas deve ser uma medida de último recurso, depois de todas as outras opções terem sido consideradas ". Agora sabemos, com base na experiência do confinamento de 2020, como as suas consequências foram devastadoras para a aquisição de capacidades básicas de leitura, escrita e matemática, especialmente nas crianças pequenas. Os mais vulneráveis pagaram um preço alto e acumularam um atraso que é difícil de recuperar hoje. O encerramento de escolas no nosso frágil contexto educacional da Guiné-Bissau aumenta o risco de abandono escolar dos alunos, tendendo assim a aumentar as desigualdades educacionais. Além do seu impacto na dificuldade de aprendizagem, os danos infligidos às crianças são elevados: Sobre a saúde: o encerramento de escolas leva à diminuição da atividade física após a cessação das aulas de educação física e desporto, aumenta o sedentarismo e aumenta o tempo passado em frente aos écrans, para além das escolas serem locais onde as crianças recebem refeições nutritivas e até são incluídas em campanhas de vacinação. Os efeitos psicológicos nas crianças e adolescentes são observados a vários níveis. A escola não é apenas um local de aprendizagem; é também um local onde crianças e adolescentes desenvolvem múltiplas relações sociais e sabemos como as interações sociais são essenciais para o desenvolvimento cognitivo. Fechar escolas aumenta o nível de ansiedade dos jovens, afeta o seu estado emocional e leva ao isolamento. Na situação atual, muitos pais que trabalham têm de conciliar o seu trabalho profissional com as responsabilidades de cuidar dos filhos, como estudar em casa. Isso pode prejudicar os relacionamentos dentro das famílias, e levar à presença constante de pais ansiosos, o que aumenta o nível de ansiedade nas crianças. A escola é um local de socialização e aprendizagem onde as crianças estão seguras. Sustentação científica das medidas tomadas: A decisão tomada no passado dia 22 de janeiro é incoerente com as restantes medidas tomadas para a contenção da pandemia de COVID-19 na Guiné-Bissau. As escolas mantinham-se abertas desde inícios de outubro de 2020 e esta segunda vaga aparece após as férias de Natal e Passagem de Ano, com a chegada de viajantes vindos de países com elevados níveis de transmissão. Ora, as medidas tomadas no dia 22 de janeiro nos parecem completamente inócuas em relação ao aperto das medidas nos pontos de entrada. Na nossa opinião, como medida inicial, era bom reforçar o controlo ao nível do aeroporto e outros pontos de entrada terrestres, à semelhança de outros países lusófonos, como Angola e Moçambique. Poderia fazer-se através destas medidas restritivas de entrada de viajantes ou exigência de quarentena domiciliária, ao invés de sacrificar as crianças e jovens da Guiné-Bissau. Por outro lado, estudos revelam que a faixa etária que mais conduz a novas infeções é entre os 20-29 anos, pela capacidade de expelir mais partículas virais e pelos contatos sociais que mantêm, e não as crianças em pré-escolar e ensino básico. Os recentes surtos relatados em determinadas escolas de Bissau poderiam ter sido manejados com o fecho dessas escolas, mantendo as escolas sem casos abertas, e utilizar os recursos financeiros e outros existentes no país para 1) reforçar as ações de prevenção da pandemia em contexto escolar 2) testar escolas com suspeitas de casos, mas não partir para uma decisão tão catastrófica como decidir fechar todas as escolas do SAB. Outro argumento é o facto dos hospitais em Bissau não estarem, de todo, com as enfermarias de COVID-19 cheias, e apesar de compreendermos que a capacidade de resposta clínica não é ótima na Guiné-Bissau, este é um marcador que tem vindo a ser usado em países europeus, mas também africanos, para a tomada de decisões de encerramento de escolas. Pedimos às autoridades públicas que reconsiderem esta decisão e ao Alto Comissariado para a Luta contra a COVID-19 que reúna esforços para que as escolas públicas e privadas de Bissau possam reabrir e cumprir a sua missão educativa. Para isso pedimos:

  • Apoio às escolas no diagnóstico e implementação de um protocolo de contingência que lhes permita reabrir em condições seguras para alunos e professores.
  • A disponibilização de recursos financeiros já alocados ao combate à COVID-19 para apoiar todas as escolas que, ainda não o podem fazer, a reabrir em condições organizacionais e higiénicas e sem risco para os seus alunos e professores.
  • Reabertura imediata de escolas sem casos de COVID-19 diagnosticados e munidas de um protocolo de contingência à pandemia adaptado e operacional.

Colectivo de pais, encarregados de educação e professores na Guiné-Bissau

29 de janeiro de 2021

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